Escassez de mão de obra chega aos supermercados e obriga fechamento permanente aos domingos
Supermercados do Espírito Santo terão mudanças significativas em 2026, após acordo coletivo que redefine escalas, funcionamento e rotina de trabalho em meio à falta de mão de obra no setor.
A partir de 1º de março de 2026, supermercados e lojas de materiais de construção do Espírito Santo deixarão de abrir aos domingos. A decisão integra a Convenção Coletiva de Trabalho 2025-2027 e foi formalizada entre entidades patronais e sindicatos diante da dificuldade crescente de manter equipes completas nas escalas semanais.
Segundo reportagem publicada por A Gazeta, o fechamento dominical foi adotado como resposta direta à falta de trabalhadores disponíveis para suprir a rotina intensa do varejo alimentar, especialmente nos fins de semana.

Fechamento aos domingos e período de teste
O acordo estabelece que o fechamento valerá entre 1º de março e 31 de outubro de 2026, repetindo um modelo aplicado no Estado entre 2009 e 2018.
De acordo com A Gazeta, o calendário foi definido para entrar em vigor após o período de maior movimento do comércio, marcado pelo verão e pelas férias. A medida faz parte da Convenção Coletiva de Trabalho assinada em 13 de novembro, que determina normas para o comércio de bens, serviços e turismo em todo o Estado.
A Fecomércio-ES informou que esse intervalo será uma fase experimental e poderá ser revisto na negociação das cláusulas econômicas prevista para novembro de 2026.
A publicação de A Gazeta também destacou que as entidades patronais enxergam o fechamento dominical como uma forma de reorganizar escalas, reduzir horas extras e tentar aliviar a sobrecarga das equipes.
Escassez de mão de obra e impacto no setor
O movimento ocorre enquanto o Espírito Santo registra algumas das menores taxas de desemprego da série histórica.
Mesmo assim, o varejo alimentício enfrenta dificuldades para preencher vagas. Durante a Acaps Trade Show, empresários relataram cerca de 6 mil postos abertos sem candidatos suficientes.
Conforme apuração de A Gazeta, redes de supermercados afirmam que a menor disposição dos trabalhadores para atuar aos domingos e feriados tem agravado o problema, justamente nos dias de maior demanda do setor.
Empresários ouvidos pelo jornal também mencionaram que outros segmentos passaram a oferecer escalas mais atrativas, o que aumentou a disputa por profissionais e reduziu a competitividade das vagas oferecidas pelos supermercados.
O que poderá ou não funcionar aos domingos
A restrição alcança supermercados, hipermercados, atacarejos, hortifrutis, mercearias e estabelecimentos de materiais de construção, incluindo unidades instaladas em shopping centers.
Padarias, açougues e comércio de rua podem abrir normalmente, pois não pertencem à mesma categoria prevista na convenção coletiva.
Pequenos estabelecimentos familiares operados sem funcionários registrados também não entram nas limitações.
Ainda de acordo com A Gazeta, mesmo os segmentos autorizados costumam adotar funcionamento reduzido aos domingos, exceto em períodos como vésperas de datas comemorativas e fim de ano, quando o movimento se intensifica.
Nova convenção unificada para o Espírito Santo
A nova convenção também marca a criação de um documento unificado para todo o Espírito Santo, algo inédito no Estado.
O acordo inclui a participação do Provarejo, sindicato que representa o varejo de Cachoeiro de Itapemirim, consolidando uma estrutura única de regras para o comércio capixaba.
Além das normas sobre abertura dominical, o documento define condições econômicas como reajuste salarial de 7%, piso de R$ 1.650 e auxílio-alimentação de R$ 150 para empresas com cinco ou mais empregados.
Segmentos específicos deverão ainda oferecer benefícios como seguro de vida e assistência médica e odontológica.
Para trabalhadores, o descanso aos domingos é visto como um avanço nas condições de trabalho e uma possível estratégia para reduzir a rotatividade no setor.
Já as empresas avaliam que a pausa dominical pode reorganizar custos, melhorar a gestão de pessoal e equilibrar o ritmo de operação em um setor marcado por alta demanda e forte concorrência.
Fonte: Click Petróleo e Gás





