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Bolsonaro quer enfraquecer lulismo e agradar aliados no Piauí

Foto: Alan Santos /PR

A porta se abre e aparece o presidente Jair Bolsonaro segurando um chapéu de couro na mão direita e aos gritos de “mito” ele para e inclina a cabeça para baixo, em um sinal de reverência aos apoiadores que se acotovelavam para vê-lo de perto. Após cumprimentar os admiradores – cerca de 300 pessoas, segundo a Polícia Militar – que o aguardavam em frente ao aeroporto de São Raimundo Nonato (PI), o presidente surpreende montando em um cavalo. O chapéu e o cavalo, símbolos do Nordeste, foi uma demonstração de que está disposto a enfrentar o lulismo no Nordeste.

Não é à toa que o presidente escolheu dois estados governados pelo PT, a Bahia (Rui Costa) e o Piauí (Wellington Dias) para a primeira viagem oficial após se curar da Covid-19. Escolheu o Nordeste, região que ajudou a eleger os presidentes Lula e Dilma Rousseff, e tida como reduto petista.

Na cidade de Campo Alegre de Lourdes, na Bahia, Bolsonaro escolheu concluir a obra da adutora do rio São Francisco, que atenderá mais de 50 cidades baianas naquela rota. Uma obra iniciada no governo petista. Como estava perto, a 66km de São Raimundo Nonato, o presidente resolveu estreitar laços com o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas e atendeu o pleito do senador para visitar o Piauí. Ciro já declarou apoio a Bolsonaro e é um dos articulares do Centrão.

No Piauí, Bolsonaro visitou o Parque Nacional Serra da Capivara e Museu da Natureza que enfrentam escassez de recursos durante a pandemia, chegando a demitir funcionários e colaboradores. No estado, o presidente não quis saber da imprensa, fez um fala rápida ao encerrar a visita após insistência da imprensa em meio a uma cerca de arame farpado. Ele disse que tinha vindo “sentir o povo”.

A comitiva saiu prometendo liberar R$ 5,7 milhões para a região. Mas, o senador Marcelo Castro (MDB), que não recepcionou o presidente por estar em isolamento, já esclareceu que são recursos reivindicado por ele junto ao Ministério do Turismo desde o ano passado.

Bolsonaro mostra força da direita, mesmo que os incrédulos não acreditem, conquista um aliado de peso Ciro Nogueira, e mantém a linha de fazer polêmica, mesmo com os conselhos do Centrão para falar pouco e trabalhar mais.

No estado, Ciro se distancia mais dos petistas e a visita do presidente desagradou os governistas do Palácio de Karnak. Bolsonaro, por sua vez, mostra que não seguirá recomendações sanitárias de evitar aglomerações, uma tática equivocada, não humanitária e que só ajuda a aumentar o número de óbito. Enquanto ele segue a saga polêmica, muitos duvidam do poder do capitão. A sensação que se tem é que os adversários dos bolsonaristas apostam em uma queda do presidente, em uma crescente impopularidade, repedindo uma estratégia camicase semelhante ao do início da eleição. A esquerda não apostava na vitória de Bolsonaro para presidente e quando acordou já era tarde.

Fonte: Flash Yala Sena/Cidade Verde

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