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Cartórios no Piauí registram 247 mortes por doenças respiratórias em 44 dias

Cartórios no Piauí registram 247 mortes por doenças respiratórias em 44 dias

Os Cartórios de Registro Civil Piauienses já registram um total de 247 mortes por doenças respiratórias desde o início da quarentena no Estado, no dia 16 de março, até esta terça-feira (28 de abril). Os dados constam no novo módulo do Portal da Transparência do Registro Civil, que foi lançado ontem (27) e reúnes dados relativos às mortes causadas pelo novo coronavírus e demais doenças do trato respiratório decorrentes de complicações.

As estatísticas se baseiam nas Declarações de Óbito registradas nos Cartórios do Estado relacionadas à Covid-19, sendo apresentada apenas uma causa mortis. Nas declarações enviadas pelos Cartórios ao Portal da Transparência, além do coronavírus declarado como causa suspeita ou confirmada do óbito, foram avaliadas também outras causas relacionadas à doença.

Os dados revelam que das 247 mortes por doenças respiratórias que o Piauí registrou de 16 de março até hoje (28), quatro foram causadas diretamente pela Covid-19, cinco por uma Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), 93 por Pneumonia, 72 por Insuficiência Respiratória, 71 por Septicemia e duas com causas indeterminadas, ou seja, causa mortis aliada a doenças respiratórias, mas não conclusivas. Há ainda outras 270 mortes registradas pelos cartórios piauienses, mas que não foram encaixados nas classificações citadas acima, das doenças respiratórias.


Foto: Reprodução: Painel Registral Covid-19

Os números, embora altos, não ultrapassaram ainda os do mesmo período do ano passado ao menos aqui no Piauí. Excetuando-se a causa mortis Covid-19, que não teve registros em 2019, todas as demais doenças respiratórias ainda possuem um registro inferior. Por exemplo, de 16 de março a 28 de abril, foram contabilizadas 93 mortes por pneumonia no Piauí. No mesmo intervalo do ano passado, foram 311 mortes. Insuficiência Respiratória apareceu como causa mortis em 237 declarações de óbito entre meados de março e final de abril de 2019. Já este ano, os números não passam de 72.

Mas mesmo tendo registros inferiores, o que preocupa é a velocidade de disseminação da Covid-19 que está associada às demais doenças do trato respiratório presentes nas declarações de óbito este ano. Uma vez que os números do coronavírus têm subido consideravelmente de um dia para o outro (em 24 horas, o Piauí confirmou mais 60 casos), as chances de que as mortes por complicações da doença aumentem é considerável, segundo o painel registral, o que pode levar a índices superiores nas próximas semanas.

Faixa etária no Piauí

Com relação à faixa etária e ao sexo, segundo o painel Covid Registral, os maiores índices de óbitos por doenças respiratórias no Piauí são de homens entre 80 e 89 anos. Nesta faixa de idade, os cartórios piauienses registraram nove mortes por pneumonia, 11 por insuficiência respiratória, e seis por septicemia.

No caso das mulheres, o mesmo padrão se repete. A idosas entre 80 e 89 anos são as principais vítimas de doenças respiratórias, tendo os cartórios do Estado registrado sete mortes por pneumonia, cinco por insuficiência respiratória e 11 por septicemia nesta faixa de idade.

Registros cartoriais em Teresina

Com relação à capital piauiense, que é a cidade com os maiores índices da Covid-19 no Estado, o Painel Registral aponta 90 óbitos por doenças respiratórias registrados pelos cartórios teresinenses de 16 de março até hoje (28 de abril). Destes, dois apresentam como causa mortis declarada a própria Covid-19, quatro por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), 39 por pneumonia, 17 por insuficiência respiratória e 28 por septicemia.

Assim como acontece em todo o Piauí, os registros cartoriais de óbito em Teresina que tiveram como causa mortis doenças respiratórias ainda estão abaixo dos registros do mesmo período de 2019. De 16 de março a 28 de abril do ano passado, foram 118 declarações de morte por pneumonia recebidas pelos cartórios teresinenses, 86 por insuficiência respiratória, 91 por septicemia e uma com causa mortis não determinada, mas dentro do espectro das doenças respiratórias. Vale lembrar, no entanto, que no ano passado, não havia registros de covid-19, o que é considerado um agravante para os índices deste ano.

Faixa etária das vítimas na Capital

Com relação ao perfil daqueles que morreram com doenças respiratórias em Teresina este ano, entre os homens, o maior número de óbitos se deu na faixa etária de 80 a 89 anos, com cinco mortes por pneumonia, três por insuficiência respiratória e duas por septicemia. Já entre as mulheres, as principais vítimas são aquelas entre 70 e 79 anos, com duas mortes por pneumonia, 20 por insuficiência respiratória e uma por septicemia.

Coleta dos dados

A atualização dos dados do Portal da Transparência se dá exclusivamente pelos registros de óbitos lavrados pelos Cartórios de Registro Civil e obedecem aos prazos legais. É importante lembrar que a família tem 24 horas após o falecimento para registrar o óbito em Cartório. Este, por sua vez, tem até cinco dias para efetuar a declaração e depois até oito dias para enviar à Central de Informações do Registro Civil

Fonte: Maria Clara Estrêla/O Dia

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