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Criadores enfrentam seca extrema e recorrem a jumentos para transportar mandacaru a longas distâncias no Piauí

Massapê do Piauí (PI) — Em meio à seca prolongada que castiga o município há quase 11 meses, criadores da zona rural de Massapê do Piauí enfrentam uma verdadeira batalha diária para garantir alimento aos seus rebanhos. Sem pasto, sem água e agora sem transporte motorizado, muitos recorrem ao uso de jumentos como único meio viável para transportar o mandacaru — cacto adaptado ao clima semiárido — por distâncias que chegam a 10 quilômetros.

A cena é cada vez mais comum: agricultores sob o sol escaldante, com temperaturas acima dos 40 °C, queimando o mandacaru para retirar os espinhos antes de servir aos animais, e guiando seus jumentos carregados com o alimento escasso entre comunidades distantes. A imagem registrada nesta terça-feira, 14 de outubro, mostra bem a dura realidade enfrentada pelos moradores da zona rural do município.

Sem chuvas há quase 11 meses, criadores de Massapê do Piauí enfrentam uma seca severa – Foto: Reprodução

“O mandacaru que tinha perto da roça já acabou. Agora, temos que ir cada vez mais longe. Sem carro, sem moto, o jeito é usar o jumento mesmo. Ele é quem tá salvando a gente e os bichos”, relata um criador da região.

Além do mandacaru, outra alternativa vem sendo a macambira, planta nativa da Caatinga, conhecida por sua resistência à seca e valor nutricional. Em algumas localidades do município, agricultores cultivam a planta como forma de reforçar a alimentação dos rebanhos. O broto da macambira, chamado de pitó, é nutritivo e tem sido uma das poucas opções viáveis no atual cenário de escassez.

A situação é agravada pela falta de chuvas. As últimas precipitações registradas ocorreram de forma irregular ainda em janeiro deste ano, sem permitir a formação de pastagens ou o reabastecimento adequado dos reservatórios de água. Hoje, mais de 70% dos reservatórios do município já estão secos. Poços tubulares sofrem com o alto consumo e o rebaixamento do nível de água, e muitos já não conseguem mais atender às necessidades básicas da população e dos animais.

As previsões meteorológicas para outubro não são animadoras. Sem sinais de chuva no horizonte e sem recursos financeiros para investir em alternativas, os agricultores vivem um momento de angústia e resistência.

Enquanto aguardam apoio e ações efetivas dos órgãos competentes, o que resta aos criadores é a força do trabalho, a resiliência e, sobretudo, a ajuda dos jumentos — que mais uma vez, em tempos de dificuldade, assumem o papel de protagonistas na luta pela sobrevivência no sertão.

Fonte: Portal Ponto Net
Edição: Portal É Notícias

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