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Piauiense é desclassificado de concurso do IPHAN por não conseguir provar que é negro

Quando o piauiense Rodrigo Santos Cruz, 31 anos, recebeu a notícia de que havia sido classificado no concurso do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), realizado em 2018, não imaginava que uma banca avaliadora iria reprová-lo. Após ser submetido a análise para comprovar a condição de candidato negro, acabou desclassificado do sistema de cotas pelo Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe) no teste de heteroidentificação.

“Agora estou tendo que lutar contra o sistema: fui desclassificado de um concurso que fiquei em primeiro lugar na vaga reservada para pessoas negras”, disse Rodrigo que é natural de Teresina-PI. Ele acredita que a etapa de identificação teria sido realizado através de um processo precário, formado por 03 pessoas, incluindo uma pessoa branca na banca de avaliação. Segundo ele, o processo consiste somente em perguntar se o candidato se considera negro e em gravar o mesmo.

Piauiense é desclassificado de concurso do IPHAN por não conseguir provar que é negro

Rodrigo prestou concurso para o cargo de analista, concorrendo por meio de cotas para candidatos pretos ou pardos, ficando em primeiro lugar conforme o resultado da classificação.

Revoltado com a situação, Rodrigo afirmou ao Em Foco, que ficou sem reação ao ver que havia sido desclassificado, sem entrar com recurso, no primeiro momento.  Somente no início de 2019, o jovem deu entrada na justiça pedindo para que fosse derrubada a desclassificação no concurso, mas o Juiz da 1°instância julgou seu pedido improcedente. Rodrigo desde então, travou uma batalha na Justiça para conseguir ser aprovado na condição da cota em que se inscreveu. “É absurdo e revoltante ter que ler uma sentença de um juiz que simplesmente julga ‘improcedente’ o meu apelo”, disse o jovem em uma postagem feita na sua conta no facebook na manhã desta segunda-feira (22/02).

Além dos preconceitos que sofreu de outras pessoas, Rodrigo sente que é vítima de racismo por parte da administração pública, o que lhe motivou a fazer o desabafo em suas redes sociais onde expôs sua indignação sobre o caso e relatou diversos acontecimentos que o marcaram na sua infância, devido a sua cor de pele.

“Você vive toda a sua infância e parte da juventude em uma família racista por que sua mãe parda casa com um homem preto e está rodeado de primos brancos, então é obrigado a ouvir aqueles velhos insultos carregados de deboche como “neguin” “macaco”, “pila preta”, vindos da própria família. Criança não tem muita noção disso, ainda mais eu que vim de um ambiente social bastante pobre em tudo: bens materiais e apoio emocional. Eu tive que ser alfabetizado embaixo de um pé de manga, pois a escola tinha poucas salas e era muita gente. A duras penas e com boa vontade de um e de outro, fui tentando não largar os estudos, sempre fui curioso, gostava e gosto muito de estudar. Em determinado momento fui tomando consciência de que eu fui e sou discriminado pelo fato de ser negro e vi que muitos são até hoje, inclusive são assassinados nesses tristes trópicos”, desabafou Rodrigo.

O candidato tenta sensibilizar a justiça para que possa rever a decisão.

Fonte: Campo Maior em Foco

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