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Um dos menores peixes do mundo emite um som tão alto quanto um tiro; ouça

Medindo somente 12 milímetros de comprimento, os peixes machos da espécie Danionella cerebrum conseguem emitir sons que podem chegar a mais de 140 decibéis — comparáveis com a potência de fogos de artifício ou até mesmo um tiro. Endêmico da região da cordilheira de Bago Yoma, no país asiático Mianmar, esse peixe minúsculo é conhecido por possuir o menor cérebro conhecido de qualquer vertebrado do mundo.

Pesquisadores da Universidade de Charité, na Alemanha, que exploraram a vocalização estrondosa dos machos D. cerebrum, publicaram seus resultados nesta segunda-feira (26) em um artigo na revista PNAS. Eles descobriram que a espécie, descrita em 2021, possui um aparelho de reprodução de sons próprio que envolve uma cartilagem especial, uma costela especializada e músculos resistentes à fadiga.

Danionella cerebrum, um dos menores peixes do mundo — Foto: Reprodução/Wikimedia Communs

Na maioria dos casos, os peixes emitem sons a partir de vibrações de sua bexiga natatória (uma bolsa de gás usada para regular sua profundidade).Esses pulsos surgem de contrações rítmicas de músculos especializados.

Já no D. cerebrum, existe uma costela que fica ao lado da bexiga natatória. Ela é movida por um músculo especial para dentro de uma peça de cartilagem e, quando a costela é liberada, a bexiga é atingida e produz som. “Há uma tensão acumulada nesta contração”, explica a pesquisadora Verity Cook ao site New Scientist. “Quando isso é liberado muito rapidamente, [a costela] atinge a bexiga natatória, o que produz o som de tamborilar”.

De acordo com os pesquisadores, a costela é mais dura nos machos, o que pode explicar a ausência de reprodução de sons pelas fêmeas. “O fato de serem apenas os machos que fazem barulho sugere que tem a ver com comportamento agressivo em relação a outros machos ou comportamento de acasalamento com fêmeas”, completa Cook.

Porém, por viverem em águas turvas e muito fundas, os motivos por trás dessa vocalização ainda seguem sendo estudados. Outra hipótese é que essa foi uma habilidade desenvolvida pelos machos para auxiliar na localização uns aos outros quando a visibilidade nas profundezas é ruim.

É possível conferir o som feito pelo Danionella cerebrum no vídeo abaixo. Assista:

Fonte: Revista Galileu

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