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Artigo: 15 de outubro, será se temos o que comemorar?! (Por Nayane Sousa)

Homens, mulheres, trabalhadores que recebem até 4.867,77 reais para uma jornada que “não acaba quando termina”...

Por Nayane Angelita de Sousa*

O dia de hoje, 15 de outubro, significa muito para mim, dia de homenagens sim! Mas, acima de tudo, reflexão! Quem são a grande maioria dos professores hoje? Como estão enfrentando o cenário atual de desvalorização da educação no país? São muitas questões que envolvem a dura realidade dessa profissão lembrada atualmente apenas em discursos demagogos e vazios ou ainda pior: como bode expiatório dos resultados ruins das estatísticas educacionais.

Homens, mulheres, trabalhadores que recebem até 4.867,77 reais para uma jornada que “não acaba quando termina”; chefes de família, em sua maioria, que precisam desafiar as leis da física, acumulando jornadas de 60 horas semanais de trabalho ou até mais em busca de condições mínimas para si e para seus familiares. Esses mesmos trabalhadores contribuem com 27% dos seus suados proventos em imposto de renda no Brasil. Além de arcarem, com raras exceções, do “cafezinho” que s mantém acordados até parte do material pedagógico que utilizam (xérox, E.V.A., cartolinas, entre outros), realidade brasileira de norte a sul.

Não bastasse as dificuldades acima mencionadas, há uma desvalorização da profissão em diversos aspectos, como baixos salários; famílias que não entendem sequer seu papel na vida de seus filhos, quiçá dos professores e da escola; gestores públicos que utilizam a educação e profissão “professor” como barganha política. E a tudo isso, acrescente-se ainda o cenário de inovações tecnológicas da sociedade atual que desafia o educador todos os dias… Afinal, em tempos de IA, a esmagadora maioria dos professores dispõe de uma sala de aula com um ventilador (no BRO-bró do sertão piauiense, por exemplo), um quadro, pincel, e raros e disputados equipamentos como data shows, que vale ressaltar, precisam que o professor leve seu próprio computador, se quiser proporcionar o mínimo ao seu alunado.

Aí se percebe, a meu ver, o quanto a educação pública é carente de melhorias em infraestrutura, equipamentos e formação docente séria. A impressão é que esse setor, tão importante, parou no tempo, se comparado a qualquer outra área no país.

Portanto, caros colegas, hoje é um dia oportuno para mostrar a sociedade que precisamos de seriedade e compromisso real com a educação pública brasileira. Precisamos de salários dignos; de escolas atrativas aos estudantes, e não de “depósitos” de alunos; de formações que nos preparem de maneira efetiva para lidarmos com a tecnologia e com os desafios pedagógicos de uma educação inclusiva de fato.

Então, quer homenagear um professor hoje? Comece enxergando a realidade que o cerca e junte-se a ele em busca de uma educação melhor, afinal, já dizia Leonel Brizola: “A educação é o único caminho para emancipar o homem”.

Quanto a nós, professores, que a nossa consciência de classe seja despertada e nos impulsione a continuar resistindo de maneira mais ativa, precisamos ecoar a nossa voz! Dignidade é o que queremos!

Avante!!!

*Nayane Angelita de Sousa, especialista em Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, professora de Língua Portuguesa da rede Estadual de Educação do Piauí e da rede Municipal de Pio IX -PI

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