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Cidade do Piauí perdeu 80 campos de futebol por dia em desmatamento

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Foto: Reprodução

O município de Canto do Buriti, localizado a cerca de 410 km de Teresina, registrou a maior área desmatada do Brasil em 2025. É a primeira vez que a cidade assume o topo do ranking nacional entre os 5.572 municípios monitorados. Os dados constam no Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD2025), divulgado pela plataforma MapBiomas Alerta nesta quarta-feira (27).

Ao longo de 2025, Canto do Buriti perdeu 20.877 hectares de vegetação nativa, área predominantemente inserida no bioma Caatinga. O município também concentrou o maior evento único de desmatamento detectado no país no período, com uma única supressão de 20.834 hectares. O ritmo médio de perda de vegetação na cidade foi de 57,2 hectares por dia, o equivalente a cerca de 80 campos de futebol diariamente.

A liderança do município piauiense ocorre em um cenário de redução nos índices nacionais. Pela primeira vez desde 2019, o desmatamento total no Brasil ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano. Em 2025, o país perdeu 984.794 hectares de vegetação nativa, o que representa uma queda de 20,6% em relação a 2024. No acumulado dos últimos sete anos (2019–2025), a perda nacional passa de 10,9 milhões de hectares.

A força do MATOPIBA e a pressão no Cerrado

O Piauí integra a fronteira agrícola do MATOPIBA, junto com Maranhão, Tocantins e Bahia. Somada ao estado do Mato Grosso, essa região concentrou mais de 63% de toda a área desmatada no Brasil em 2025. Dos dez municípios que mais desmataram no país, oito pertencem ao MATOPIBA.

Sozinha, a área de expansão agrícola respondeu por:

40% da perda de vegetação nativa em todo o território nacional;

70% do desmatamento registrado no bioma Cerrado.

O Cerrado manteve-se como o bioma mais pressionado do país, concentrando 54,9% do desmatamento nacional (540.614 hectares), apesar de registrar uma redução de 16,9% na comparação com 2024. Em segundo lugar ficou a Amazônia, com 289.478 hectares desmatados (queda de 23,5%). O Pantanal registrou a maior queda proporcional, com redução de 48,4% na área afetada.

Expansão agropecuária lidera vetores de pressão

O relatório do MapBiomas detalha que a expansão agropecuária continua sendo o principal vetor de supressão vegetal no país, associada a 99% da área desmatada em 2025. Nos últimos sete anos, a atividade respondeu por 97% das perdas totais.

O levantamento também mapeou outros fatores de impacto regionalizado:

Energia Renovável: Os desmatamentos para instalação de empreendimentos de energia limpa estiveram concentrados na Caatinga, bioma que respondeu por 97% deste vetor.

Expansão Urbana: Registrou alta de 7% em relação a 2024, concentrada principalmente no Cerrado e na Amazônia.

Garimpo: Teve 99% das ocorrências mapeadas na Amazônia, com maior incidência no estado do Pará.

Nas áreas protegidas, o monitoramento apontou redução nas taxas. Dentro de Unidades de Conservação (UCs), a queda foi de 21,4% em relação ao ano anterior, totalizando 46.257 hectares. Já em Terras Indígenas (TIs), o recuo foi de 22%, somando 12.593 hectares desmatados em 2025.

Fonte: Cidade Verde

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