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‘Continua orando’: mulher de policial do BOPE morto em operação no Rio mostra última conversa com marido

O sargento do Bope Heber Carvalho da Fonseca, 39, morto ontem durante operação no Complexo da Penha, no Rio, trocou mensagens com a esposa pouco antes de ser baleado.

O que aconteceu

“Continua orando”, disse o policial após esposa perguntar se ele estava bem. O print da conversa dos dois foi publicado pela esposa de Heber, Jéssica Araújo, nas redes sociais. “E você não falou mais”, lamentou a mulher na publicação.

Depois disso, Heber não responde mais às perguntas feitas pela esposa. “Ele dizia que tinha uma senha em suas mãos, toda vez que perdia um colega. Que o dia que acontecesse com ele, iria fazendo o que mais amava.”, afirmou Jéssica.

Heber tinha especialização em tiros de precisão e era um dos quatro policiais mortos na operação de ontem. Ele entrou na corporação em 2011 e trabalhava no cargo de 3º Sargento.

Ele deixa a esposa, dois filhos e um enteado. O local e horário do enterro de Heber não foram divulgados até o momento. Dois dos policiais mortos ontem serão enterrados hoje. Comissário Marcus Vinícius é velado no Cemitério da Cacuia, na Ilha do Governador, onde será enterrado às 13h30. Inspetor Rodrigo Velloso será velado à tarde no Cemitério Memorial do Rio, em Cordovil, a partir das 14h.

PM lamentou a morte de Fonseca. “Ele dedicou sua vida ao cumprimento do dever e deixa um legado de coragem, lealdade e compromisso com a missão policial militar. Sua ausência será sentida por todos que tiveram a honra de conhecê-lo”.

Operação “foi um sucesso”, diz governador do Rio. Hoje, Cláudio Castro (PL), afirmou que as mortes dos quatro policiais foram os únicos fatos a se lamentar na operação. O número oficial dos mortos foi diminuído de 64 para 58 e a reportagem do UOL contou hoje ao menos 65 corpos na Praça São Lucas, no Complexo da Penha. Esses ainda não foram formalmente contabilizados pela polícia.

Castro afirmou que as famílias dos policiais serão “amparadas e protegidas pelo estado”. “Para que a gente possa valorizar a nobre ação” dos agentes, afirmou, durante entrevista coletiva na manhã de hoje no Rio de Janeiro, um dia após a deflagração da Operação Contenção.

Dezenas de corpos foram retirados do Complexo da Penha hoje

Dezenas de corpos são retirados de área de mata um dia após operação no Complexo da Penha, no Rio
Dezenas de corpos são retirados de área de mata um dia após operação no Complexo da Penha – Imagem: Eduardo Anizelli/Folhapress

No começo da manhã, repórteres do UOL contaram ao menos 65 corpos deixados na praça à medida que eram recuperados por moradores. A maioria deles estava em uma área de mata na Serra da Misericórdia. O UOL presenciou familiares de alguns dos assassinados acompanhando, em desespero, a remoção e contagem das vítimas.

Com os corpos recuperados hoje, número oficial de mortos na operação passou para 119. Este número engloba os quatro policiais que foram vitimados durante a operação, segundo o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi.

A retirada dos corpos foi feita com rabecões da Defesa Civil, dirigidos por bombeiros militares. A equipe do UOL não presenciou nenhum policial no local durante a remoção dos mortos na manhã de hoje.

Do UOL, em São Paulo

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