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Em cenário sem Lula, maioria do eleitorado prefere votar nulo ou branco, aponta pesquisa

São Paulo SP Brasil 21 09 2017 PODER O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante lançamento da iniciativa "Brasil Que o Povo Quer" organizada pelo Partido dos Trabalhadores e a Fundação Perseu Abramo no Hotel Jaraguá..PODER foto Jorge Araujo Folhapress 703 ORG XMIT: GPS: S 23 32.53 W 46 38.37 7
Lula – Foto: Jorge Araujo/Folhapress

Quando o ex-presidente Lula (PT) é excluído dos cenários eleitorais de 2018, a taxa de entrevistados que preferem votar em branco ou nulo cresce em até dez pontos percentuais. Dentre os candidatos, apenas Marina Silva (Rede), por enquanto, herda parte importante (cerca de um terço) dos apoiadores do ex-presidente.

O fenômeno se explica não só pelo desconhecimento dos candidatos, mas também pela dificuldade de identificação do eleitor lulista com os nomes em jogo. Entre os mais pobres e menos escolarizados, o índice de votos brancos e nulos dobra diante da ausência do ex-presidente. No Nordeste, a tendência se repete, mesmo com o recall local de Marina e Ciro (PDT).

Até no Sudeste e no Sul, mais refratários ao petismo, o escore ultrapassa 20% em simulação que reúne nomes de peso regional como João Doria (PSDB), Geraldo Alckmin (PSDB), Fernando Haddad (PT) e Álvaro Dias (Podemos), todos no mesmo cenário. Os apoios, tanto a tucanos quanto a Bolsonaro (PSC), têm baixíssima correlação com o voto no ex-presidente.

As evidências apontam para um espaço amplo, ainda a ser conquistado por quem pretenda enfrentar ou substituir Lula na corrida eleitoral do próximo ano. Para o próprio petista, se sua candidatura vingar, a lição de casa passa por recuperar estratos de perfil correlato ao de seu eleitorado, especialmente fora do Nordeste.

Numa análise combinatória de duas variáveis —região onde o eleitor mora e renda familiar mensal—, percebe-se que, apesar de também liderar a disputa entre os mais pobres das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, o ex-presidente consegue proporcionalmente, nesses subconjuntos, apenas metade do apoio observado entre os mais pobres do Nordeste, por exemplo.

É claro que, pelo peso quantitativo das outras regiões na composição do eleitorado, o papel do Nordeste se dilui —dos 36 pontos que Lula chega a ter no primeiro turno, 16 vêm dos que têm menor renda no Sudeste e Sul, enquanto 14 vêm dos pobres do Nordeste e 3 dos estratos correspondentes do Norte e Centro-Oeste. O restante, apenas 3 pontos, vem dos segmentos com renda superior a 5 salários mínimos (somadas todas as regiões do país).

Mas, antes de botar o pé na estrada, o aspirante à vaga deve planejar bem —em vez de gerar atratividade pode provocar rejeição. Discursos que funcionam em redes sociais podem não ter apelo junto a alguns estratos —60% das classes D e E não têm acesso à internet e não possuem smartphone.

Jair Bolsonaro e João Doria, com suas viagens estratégicas, ficaram mais conhecidos de fato, mas, principalmente no caso do atual prefeito de São Paulo, a informação, até aqui, não se converteu em intenção de voto concreta. Pelo contrário, a rejeição ao seu nome cresceu cinco pontos percentuais no Brasil e acima disso no Nordeste e Norte.

Para arriscarem o debate nacional, os dois candidatos deveriam antes atentar para o fraco desempenho que apresentam em segmentos carentes de suas próprias regiões. Entre os mais pobres do Sudeste, tanto Bolsonaro quanto Doria têm, cada um, 10% das intenções de voto. Lula alcança 36%.

Em um ambiente que carece de representação, serão decisivos justamente os que correm o risco de perder seu representante.

Folha UOL

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