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Homem constrói “rio artificial de concreto” com 145 km e leva água ao sertão castigado pela seca

Durante o percurso, canais de concreto, túneis, sifões e grandes tubulações conduzem a água pela região. Dessa forma, o sistema cria uma espécie de rio artificial capaz de superar os desafios do relevo

Um rio sem nascente, sem peixes e construído pelo homem atravessa o interior do Ceará para ajudar a combater os efeitos da seca e levar água para regiões que podem passar longos períodos sem chuva. A ideia foi elaborada e criada por apenas um animal: o bicho homem!

Com 145,3 quilômetros de extensão, o Cinturão das Águas do Ceará foi uma grande invenção do ser humano e transporta parte da água recebida pela do Rio São Francisco até áreas afetadas pela estiagem.

A estrutura começa na Barragem de Jati, ponto de conexão com o Projeto de Integração do Rio São Francisco, e segue até o Rio Cariús, no município de Nova Olinda.

Durante o percurso, canais de concreto, túneis, sifões e grandes tubulações conduzem a água pela região. Dessa forma, o sistema cria uma espécie de rio artificial capaz de superar os desafios do relevo cearense.

A água que abastece o rio artificial vem do Rio São Francisco/IA

Como funciona o rio artificial do Ceará?

Diferentemente de um rio natural, que nasce de fontes de água e segue seu curso definido pela natureza, o Cinturão das Águas controla o caminho, o volume e a distribuição do recurso.

Para isso, a estrutura aproveita o desnível natural do terreno e conduz parte da água por gravidade, reduzindo a necessidade de sistemas de bombeamento.

Além disso, túneis e sifões permitem que o canal atravesse obstáculos como vales, estradas e elevações do solo. Ao todo, o projeto foi planejado para transportar até 30 metros cúbicos de água por segundo.

A água que abastece o rio artificial vem do Rio São Francisco. Primeiro, ela percorre o Eixo Norte da transposição até chegar à Barragem de Jati. Depois, as comportas liberam o volume para o Cinturão das Águas, que inicia um novo trajeto pelo interior do Ceará.

Na sequência, canais, túneis e sifões conduzem o fluxo pela região do Cariri. Enquanto isso, derivações encaminham a água para sistemas locais, e rios e reservatórios ajudam a distribuir o recurso para outras áreas.

A água que abastece o rio artificial vem do Rio São Francisco/IA

Como está o rio artificial em 2026?

O Cinturão das Águas ainda não está totalmente concluído. Em 2026, a obra entrou na fase final de implantação, com alguns trechos, equipamentos e acabamentos ainda em execução.

Em março deste ano, mais 15 quilômetros foram liberados para receber água. Além disso, o Governo do Ceará informou que o projeto alcançou 92% de execução.

Apesar dos avanços, a conclusão definitiva ainda depende da continuidade dos trabalhos e das próximas etapas previstas pelos órgãos responsáveis.

Mesmo assim, a água do Rio São Francisco já percorre parte do caminho construído pelo homem para atravessar o sertão cearense e reforçar a segurança hídrica de uma região marcada historicamente pelos longos períodos de seca.

Fonte: Diário do Litoral

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