Foto: (Ricardo Moraes/Reuters)

Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente da República. O resultado foi confirmado às 19h deste domingo (28). A apuração ainda não foi finalizada, mas aponta para 55,7% de votos para Bolsonaro contra 44,3% para Fernando Haddad (PT).

Jair Bolsonaro (PSL), capitão do Exército na reserva, 63 anos, deputado desde 1991, conseguiu capitalizar a decepção e a raiva de uma população abalada por anos de recessão e estagnação, assim como cansada com os escândalos de corrupção. Bolsonaro é um grande defensor da ditadura (1964-85) e admirador declarado de um dos principais torturadores do regime.

Fernando Haddad (PT), professor e ex-prefeito de São Paulo, 55 anos, foi designado candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) em substituição a seu líder histórico, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), que cumpre desde abril uma pena de 12 anos prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

Jair Bolsonaro (PSL) é eleito – Foto: Arte: Folha de Pernambuco

No primeiro turno, em 7 de outubro, Bolsonaro recebeu 46% dos votos e Haddad 29%. As últimas pesquisas, divulgadas na noite de sábado (27), mostraram o candidato do Partido Social Liberal (PSL) com vantagem de oito a 10 pontos. Mesmo assim, Bolsonaro pediu a seus seguidores para não baixarem a guarda.

Haddad encurtou a distância de seu adversário nos últimos dias (em meados de outubro Bolsonaro tinha 18 pontos de vantagem sobre ele), depois que o adversário ameaçou seus rivais de esquerda: “Ou vão pra fora ou vão para a cadeia. Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria”, disse.

Raiva
O crescimento de Haddad aconteceu com o apoio de milhões de brasileiros beneficiados pelas políticas de inclusão social de seu padrinho político. Mas esta identificação também trouxe consigo o seu índice de rejeição, já que, para outros milhões de eleitores, Lula e PT são sinônimos de esquemas financeiros turvos para permanecer no poder. É uma rejeição comparável apenas à do próprio Bolsonaro, que ao longo de seus 27 anos no Congresso ganhou conhecimento mais por suas declarações misóginas, racistas e homofóbicas.

O estado de saúde do candidato do PSL, esfaqueado no abdômen por um ex-filiado do PSOL no dia 6 de setembro, o privou de participar de atos públicos, apesar da ativa presença nas redes sociais, sua arma favorita, sem participar de nenhum debate com seu adversário. Bolsonaro fez campanha com propostas como liberar o porte de armas para combater a insegurança galopante ou travar uma guerra sem trégua contra a corrupção.

No começo do mês, uma pesquisa do Datafolha mostrou que 88% dos brasileiros se sentem inseguros no país; 79% trises com a situação do país; 78% desanimados; 68% com raiva, e 62% com medo do futuro.

Consolidada a vitória, o guru econômico de Bolsonaro, Paulo Guedes, tentará lançar um programa de privatizações para reduzir a dívida e reativar a economia, que vem de dois anos de recessão e mais dois de crescimento fraco.

O vencedor terá que governar com um Congresso com partidos debilitados pelos escândalos e dominado pelos lobbies conservadores do agronegócio, das igrejas evangélicas e dos defensores do porte de armas. O candidato eleito substituirá em 1º de janeiro de 2019 Michel Temer, o presidente mais impopular desde o retorno da democracia.

Fonte: Folha de Pernambuco

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