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O outro Zé Vaqueiro: músico desiste de briga por nome e se diz traído por empresa de Xand Avião

José Jacson, o Zé Vaqueiro que canta o hit 'Letícia', compôs 'Vem me amar', hit na voz Jonas Estilizado, e assinou com o novo escritório de Xand Avião — Foto: Divulgação
José Jacson, o Zé Vaqueiro que canta o hit ‘Letícia’, compôs ‘Vem me amar’, hit na voz Jonas Estilizado, e assinou com o novo escritório de Xand Avião — Foto: Divulgação

José Jacson de Siqueira dos Santos Júnior tem 22 anos e nasceu em Ouricuri, no sertão pernambucano. A mãe, Nara, era cantora de forró. “Desde pequeno, na barriga mesmo eu já vinha nesse ramo da música”, ele conta.

Trabalhou vendendo sorvete, na barraca de lanche da avó, e em um lava-jato, enquanto cantava em pequenas festas e tentava engatar a carreira. Aos 18 anos, se animou com o sucesso do piseiro e gravou o primeiro álbum caseiro como Zé Vaqueiro. Além de cantar, queria escrever.

“Meu tio é poeta. Aí eu perguntei para ele: ‘Tio, como eu faço para compor?’ Ele falou: ‘Rapaz, você tem que colocar no papel o que está sentindo aí.’ Aí eu peguei um caderno antigo do governo, do tempo que eu estudava na escola estadual.” Uma das primeiras composições, “Vem me amar”, deu certo.

“Eu falei: rapaz, como que uma música que eu fiz ali sentado no sofá de casa, no caderno do governo, tá rodando o Brasil? Isso aí eu nunca esqueci, sabe?”, diz Zé Vaqueiro.

Mas ele ainda não tinha tanta estrutura, e “Vem me amar” acabou ficando mais conhecida na voz de Jonas Esticado, outra jovem estrela do forró, apadrinhado por Gusttavo Lima.

Zé também escreveu “Se você se entregar”, que tocou em muitas festas de piseiro, na voz dele mesmo. Mas os maiores sucessos vieram depois, com composições de terceiros: primeiro foi “O povo gosta de piseiro”, parceria com Eric Land.

No segundo semestre de 2020 vieram os sucessos que o fizeram despontar de vez: “Tenho medo” e “Letícia”. Depois vieram mais hits: “Volta comigo bb”, “Cangote”, “Meu Mel”… São centenas de milhões de audições que fizeram dele o cantor romântico mais ouvido do Brasil.

Quem é Wesley, o ‘ex-Zé Vaqueiro’?

Wesley dos Santos Vieira, o Zé Vaqueiro Estilizado, compositor de 'Investe em mim', que gravou em parceria com Jonas Estilizado — Foto: Divulgação
Wesley dos Santos Vieira, o Zé Vaqueiro Estilizado, compositor de ‘Investe em mim’, que gravou em parceria com Jonas Estilizado — Foto: Divulgação

Wesley dos Santos Vieira tem 22 anos e nasceu em Lagoa Grande, no sertão pernambucano – a 125 km de Ouricuri e 655 km de Recife.

Desde os 15, ele escreve músicas e canta, mas começou no forró misturado com arrocha, sempre com canções de amor. “Sou muito fã do estilo romântico”, conta. Ele passou por várias bandas pequenas e shows em barzinhos, ainda com o nome artístico Wesley Santos.

Ele entrou mais cedo no mercado da composição. Escreveu dois sucessos na voz do ídolo sergipano Unha Pintada. O maior foi “Dono da bodega”, em 2018. Depois veio “Amor forçado”, em 2019.

Ele já tinha mais de moral no mercado quando passou pelo mesmo dilema do outro Zé Vaqueiro: viu uma música sua, “Investe em mim”, crescer e ser cobiçada por Jonas Esticado. Em vez de só vender o direito de gravação, ele pelo menos conseguiu um acordo: gravar em parceria.

Ao contrário do xará, ele não viu a sorte virar após ser gravado por Jonas Esticado. Ele gravou um dueto, mas diz que Jonas divulgou nas rádios outra gravação, sozinho.

Em 2020, Zé Vaqueiro Estilizado (com o complemento que o diferenciava do outro Zé que já decolava) até gravou músicas em versões bem tocadas – “Libera ela” (8 milhões de views) e “Some ou me assume” (3,5 milhões) -, mas bem abaixo do patamar dos hits atuais do outro.

Ele ainda brigava no INPI para, ao menos, continuar com o registro do nome “Zé Vaqueiro Estilizado”, já tendo perdido a tentativa de ser o dono do “Zé Vaqueiro” puro. No fim de 2021, finalmente ele se rendeu e virou apenas o “Zé Estilizado”.

Registro da marca "Zé Vaqueiro Estilizado" estava em aberto no INPI — Foto: Reprodução
Registro da marca “Zé Vaqueiro Estilizado” estava em aberto no INPI — Foto: Reprodução

g1 checou: José Jacson postou primeiro

Wesley disse ao G1 que usou pela primeira vez o nome Zé Vaqueiro em shows em 2014, mas que não fez nenhum registro, por ser menor de idade, nem postou nada na web. José Jacson diz que começou a usar o nome em 2018, e há registros na internet que corroboram com a história.

Em julho de 2018 já havia registro do Zé Vaqueiro José Jacson no YouTube — Foto: Reprodução
Em julho de 2018 já havia registro do Zé Vaqueiro José Jacson no YouTube — Foto: Reprodução

O g1 buscou nos sites YouTube e Sua Música (especializado em forró), e os materiais mais antigos encontrados com o nome Zé Vaqueiro são ambos de José Jacson, em julho de 2018.

No perfil oficial de Zé Vaqueiro Estilizado no Facebook, ele se apresentava apenas como o cantor Wesley Santos até março de 2019.

No dia 12 de abril de 2019, Wesley fez um post dizendo: “Novo projeto vem aí. Uma nova etapa da minha vida.” No dia 13 de abril, ele divulgou uma música se identificando como Zé Vaqueiro, e um mês depois, como Zé Vaqueiro Estilizado.

O anúncio do “novo projeto” e os primeiros posts no Facebook se identificando como Zé Vaqueiro foram feitos por Wesley, portanto, nove meses depois dos primeiros registros de José Jacson.

Ao ser questionado, Wesley enviou ao g1 postagens dele de 2017 que citavam o nome Zé Vaqueiro, o que poderia indicar que ele já usava este nome artístico. Mas os textos antigos foram editados por ele em 2020.

Um post original de 2017 dizia “família WS”, (de Wesley Santos). Ele editou em 2020 o texto para “família zé piseiro” antes de mandar os links para o g1.

Wesley enviou ao G1 links dizendo que ele já se identificava como Zé Vaqueiro em 2017. Mas o texto foi editado. No original, ele dizia 'família WS' (sigla de Wesley Santos). Em 2020, ele editou o texto para 'família zé piseiro', nome que ele não usou no post original — Foto: Reprodução / Facebook

Wesley enviou ao G1 links dizendo que ele já se identificava como Zé Vaqueiro em 2017. Mas o texto foi editado. No original, ele dizia ‘família WS’ (sigla de Wesley Santos). Em 2020, ele editou o texto para ‘família zé piseiro’, nome que ele não usou no post original — Foto: Reprodução / Facebook

Encontro de Zés

Welsey já disse ao g1 que conheceu José Jacson em 2019 e que eles se deram bem. “A gente conversou, já almoçou junto, tomou cachaça, aqui em Lagoa Grande. Foi de boa”, disse no início de 2020.

O encontro foi registrado por ele no Facebook, junto com a promessa de uma parceria que nunca se concretizou. Hoje, é apenas uma lembrança de quando eles eram xarás.

José Jacson (esquerda) e Wesley (direita), respectivamente o Zé Vaqueiro e o Zé Vaqueiro Estilizado, chegaram a se encontrar e beber juntos em julho de 2019, em Lagoa Grande (PB). Eles até conversaram sobre fazer uma parceria, que nunca se concretizou — Foto: Reprodução / Facebook
José Jacson (esquerda) e Wesley (direita), respectivamente o Zé Vaqueiro e o Zé Vaqueiro Estilizado, chegaram a se encontrar e beber juntos em julho de 2019, em Lagoa Grande (PB). Eles até conversaram sobre fazer uma parceria, que nunca se concretizou — Foto: Reprodução / Facebook

Por Rodrigo Ortega, g1

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