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Texto: Retratos da seca, por Reginaldo Oliveira

Foi-se o tempo em que no mês de janeiro todas as roças se encontravam plantadas e com abundância de milho e feijão, entre outras culturas. Hoje o que se ver são milhares de propriedades abandonadas e agricultores desanimados. A fartura que no passado fez parte da vida do sertanejo, hoje se encontra reduzida a quase nada. A abundância de variedades de culturas de milho, feijão, abóboras, melancias, entre outras, desapareceram do cenário do sertão. A paisagem mudou ficando escura como se estivesse morta.

O que se ver agora é um cenário cinzento e uma população sem esperança. O que antes trazia bonança, atualmente deixa um rastro de destruição. A seca faz suas vítimas todo ano pelas quebradas do sertão. Tanto animais como seres humanos sofrem seus efeitos que sem piedade extermina vidas no nordeste brasileiro.

Retratos da seca – Foto: Reginaldo Oliveira

A seca que engole açudes, rios, e pinta de cinza a paisagem do sertão, deixa um rastro de calamidades e destruição em mais um ano cruel. A baixa concentração de chuvas, chovendo apenas um mês e outros não, fazem com que o Nordeste pareça um deserto.

“Quem convive com a seca diariamente sabe o quanto ela é devastadora”, conta uma moradora. “Antes tirávamos o suficiente para comer, guardar e vender; hoje nem isso tiramos mais”, define um agricultor com lágrimas nos olhos.

Sem perspectivas de dias melhores muitos abandonam o sertão em busca de oportunidades na cidade, o que às vezes não encontram. É uma calamidade e uma realidade nua e crua que o Nordeste brasileiro vem enfrentando nos últimos anos. Quem mora nessa região sabe o quanto é doloroso ter que conviver todo ano com este fenômeno que embora seja natural, mais é cruel para a população sertaneja. Não se ver mais por aqui aquelas plantações em grandes propriedades, os lavradores reduziram o terreno e muitos nem plantam mais alegando que não compensa.

A seca é um fenômeno típico de quem convive no semiárido – Foto: Reginaldo Oliveira

Assim como diz o saudoso Luiz Gonzaga: “setembro passou, outubro e novembro, já estamos em dezembro…” O sol escaldante e o céu lindo e azul desanima o agricultor que via no inverno uma esperança de dias melhores; mas os tempos mudaram e as chuvas que vem são irregulares e não atende a toda região. Os trabalhadores se verem obrigados a sapecar mandacaru para alimentarem seus rebanhos que ainda resistem à seca malvada.

Por aqui árvores como mandacaru e o umbuzeiro resistente à estiagem e só começam a morrer depois de um longo período de seca. Mais o sertanejo não perde a esperança. O escritor Euclides da Cunha disse: “o sertanejo é antes de tudo um forte”. Mais isso causa um sofrimento terrível a esta gente que luta diariamente para sobreviver com garra e determinação para enfrentar este fenômeno.

Assim, o homem do campo acostumado a resistir a grandes secas, nos últimos anos ver sua esperança esvair-se pelo sol quente e a terra esturricada sem nenhuma perspectiva de um inverno bom e farto. Agora resta a esperança com a fé destes homens bravos e valentes na esperança de dias melhores.

Reginaldo Oliveira é pedagogo, natural de São Julião – PI.

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