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TV entra no maior presídio do Piauí e acompanha rotina de presos; veja o vídeo!

TV entra no maior presídio do Piauí e acompanha rotina de presos; veja vídeo
TV entra no maior presídio do Piauí e acompanha rotina de presos; veja o vídeo!

A TV Cidade Verde conseguiu, com exclusividade, entrar na Casa de Custódia de Teresina, o maior presídio do Piauí. A entrada da equipe ocorreu no mesmo dia do assassinato de um detento na cela 12 do pavilhão H. Apesar da morte, o clima era de aparente tranquilidade em todos os pavilhões onde estão abrigados 961 presos. Por outro lado, a reclamação ecoada de dentro das celas denunciava a superlotação.

Na sexta-feira (03) era visita de familiares ao pavilhão B, o maior do presídio, e a movimentação era intensa. Em dias de visita é comum o vai e vem de pessoas carregando colchonetes e sacolas com roupas, frutas, entre outros para os apenados. A entrada acontece diariamente pela manhã e a tarde, de acordo com o cada pavilhão que se estende do A ao I, sendo que dois estão em reforma que deve ser concluída ainda no mês de fevereiro. Os visitantes ficam em uma área chamada de ‘contenção’ e só têm acesso aos detentos por meio das grades. Cada pavilhão tem de 16 a 20 celas, sendo que as maiores abrigam até 27 detentos.

Vista de cima, a Casa de Custódia é colorida por roupas dos presos estendidas nas grades. Em cada pavilhão, são escolhidos detentos responsáveis pela limpeza, os faxineiros, responsáveis por manter o ambiente limpo. São eles também que distribuem as três refeições diárias: café da manhã, almoço e jantar.

No momento da chegada da equipe, era horário do almoço dos detentos às 10h20. De acordo com diretor do presídio, tenente Jean Carlo Bezerra, a alimentação é balanceada. Uma cena comum do lado de fora das celas são recipientes com carne de sol e linguiça. Os alimentos são levados por familiares e cozinhados de forma improvisada em uma panela de barro, aquecida com óleo. Os apenados também costumam preparar macarrões instântaneos.

“É aberto essa concessão para entrar lanches para complemento da alimentação, uma vez que, eles só têm três refeições diárias”, disse o diretor da Casa de Custódia, que guiou a equipe da emissora.

Na parte superior do presídio, policiais militares armados monitoram a rotina dos presos 24 horas por dia. Do alto da Casa de Custódia é possível ver ainda detentos trabalhando na horta e na obra de reforma dos pavilhões G e I, que terão capacidade para 84 apenados. Um dos reeducandos é Francisco Assis de Sousa Filho, 37 anos, apontado como autor da morte da própria mulher, em 2014, no município de Assunção do Piauí.

“O trabalho é bom porque distrai a gente e ajuda. Ficar sem fazer nada não é bom não. Trabalho até às 15h e recebo um valor, acho que é R$ 50. Mando o dinheiro para os meus cinco filhos. Não preciso de dinheiro na prisão, pois meu gasto é apenas com fumo. Não sou desse ramo, aconteceu isso comigo por conta de ciúmes, por conta de mulher. Em penso na besteira que fiz na minha vida. Nunca tinha brigado com ninguém e fui fazer isso com ela. Na hora, não pensei nem nos meus filhos. Espero que- ao sair daqui- me aconteçam coisas boas, possa criar meus filhos. Eu espero sair logo daqui, porque aqui não é lugar ninguém. A sorte é que eu estou em um lugar diferente dos outros, porque ali para dentro é ruim. O crime não leva ninguém a lugar nenhum; só atrasa”, lamenta.

Francisco Assis tem cinco filhos com idades de cinco a 15 anos. Há três meses, ele não recebe visita da da família e diz que foi esquecido até mesmo pelo advogado. Preso há pouco mais de dois meses ele ainda não foi julgado e é um dos presos considerado com bom comportamento.

A TV Cidade Verde teve acesso também ao corredor central do presídio por onde acontece a entrada e saída de detentos, além de visitantes e por onde os agentes de segurança entregam a alimentação. O corredor é extenso e conta com várias grades que são fechadas, uma a uma, em casos de tumulto.

Ressocialização 

Com menos de um ano no comando do presídio, o tenente Jean Carlo Bezerra explica que o grande desafio na Casa de Custódia é a ressocialização. Ao todo, 46 presos trabalham no presídio com funções na cozinha, horta, limpeza e também contratados por empresas terceirizadas como é o caso do detento Francisco (citado anteriormente). A meta é atingir 100 presos trabalhando.

“Pensei que o maior desafio seria evitar rebeliões e fugas, mas hoje vejo que o maior desafio é a ressocialização. A gente observa a vontade dos detentos de estarem fora dos pavilhões trabalhando, ter a remissão da pena e voltar para o convívio da sociedade. Nosso maior desafio é tirar  o detento de dentro do pavilhão e dar oportunidade para ele trabalhar fora e ter uma vida normal fora do presídio”, disse o diretor da Custódia. A cada três dias de trabalho, o preso ganha um dia de remissão da pena e caso trabalhe para alguma empresa, ainda recebe remuneração.

Na cozinha, por exemplo, a maioria da equipe é formada por reeducandos, responsáveis pelo preparo de 2.700 refeições diárias. O diretor contabiliza que apenas 5% dos presos que saíram da Casa de Custódia voltam a praticar crimes.

“A ressocialização é de fundamental importância para o detento. O número de detentos empregados ainda é pequeno. Se eu conseguir tirar de dentro dos pavilhões 100 homens para trabalhar, serão 100 pessoas que vou tentar integrar no meio social”, vislumbra. O recrutamento de detentos para o trabalho acontece de acordo com o perfil de cada um.

Para evitar rebeliões e motins, Jean Carlo tem apostado também no diálogo entre direção, agentes de segurança e detentos. Segundo ele, a prioridade é salvar vidas.

“Quando assumi, a equipe esteve em todos os pavilhões, conversamos com todos os detentos e dissemos que o agente de segurança tem que respeitar o preso e o preso tem que respeitar muito mais os agentes”, disse o diretor. Ele frisou também que, em casos de mortes de detentos, o pavilhão inteiro fica de triagem e a situação é comunicada a Defensoria Pública do Estado e a Comissão de Direitos Humanos.

O diretor da Casa de Custódia tem larga experiência profissional, tendo servido a Força Nacional por sete anos e atuado nos presídios federais de Campo Grande e Paraná e nas unidades prisionais no Maranhão e Ceará.

A Casa de Custódia de Teresina tem capacidade para 336 presos, mas abriga 961.

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Graciane Sousa/ Cidadeverde.com

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