Vereador de cidade do Piauí vira réu por causar rombo milionário ao INSS

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A Justiça Federal recebeu denúncia contra os envolvidos em uma organização criminosa especializada em fraudes a benefícios assistenciais do INSS concedidos a idosos e deficientes desarticulada pela denominada “Operação Biditos” da Policia Federal, dentre eles, o vereador de Piripiri Genival Santos Cordeiro, mais conhecido como Genival Cigano (PV), eleito com 1.080 votos.

Genival Cigano (PV)

De acordo com a Polícia Federal, o nome da operação se refere a uma expressão utilizada por alguns dos membros da quadrilha, que se dizem ciganos, para citarem os cartões de benefícios do INSS em seu dialeto.

A operação “Biditos”, contou com a mobilização de 145 policiais federais dos estados do Piauí, Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba e Tocantins, além do apoio do Segundo Batalhão da Polícia Militar da cidade de Parnaíba.

Quadrilha gerou prejuízo de mais de R$ 27 milhões ao INSS

A quadrilha sediada em Piripiri teria inicialmente fraudado 321 (trezentos e vinte um) benefícios previdenciários, sendo que, dessa fraude, teriam gerado ao INSS um prejuízo mensal de R$ 305.280,00 (trezentos e cinco mil duzentos e oitenta reais) e total de R$ 27.669.685,27 (vinte e sete milhões, seiscentos e sessenta e nove mil, seiscentos e oitenta e cinco reais e vinte e sete centavos).

Segundo o MPF, a quadrilha é composta de ciganos e parentes entre si, espalhados nos municípios de Piripiri/PI, Cocal/PI, Barras/PI, Piracuruca/PI, Parnaíba/PI, Sobral/CE e outros, sendo que o núcleo principal do grupo criminoso está sediado no município de Piripiri/PI. Afirma a denúncia que, “ficou comprovado que os denunciados possuem dezenas de cartões de benefícios do INSS (denominados por eles de “Biditos”) e que vivem exclusivamente dos recursos oriundos desses cartões.

Inúmeros são os áudios envolvendo falsificação de documentos para obter o benefício e para renovar as senhas dos cartões. Há diálogos em que eles afirmam que uma única pessoa possui 50 cartões do INSS (…).

Afirmou também que “as fraudes praticadas pelos denunciados eram realizadas diariamente por meio das mulheres do grupo as quais eram acompanhadas à distância por seus companheiros e/ou maridos”. E sustentou que “não há dúvidas de que os crimes denunciados foram praticados de forma dolosa, uma vez que as fraudes foram planejadas e executadas de forma meticulosa, com a falsificação de documentos públicos para a criação de pessoas fictícias, a “montagem” de processos para requerer os benefícios no INSS, o direcionamento do processo dentro do INSS e a concessão fraudulenta por servidor membro da associação criminosa. O dolo dos investigados também está configurado pelo recebimento, desde o ano de 1996, de benefícios fraudulentos em nome de pessoas inexistentes”.

A denúncia foi recebida em face de Francisco das Chagas de Jesus Silva, conhecido como “Victor Cigano”, Francisco das Chagas Silva, vulgo “Carlinhos Cigano”, Genival Santos Cordeiro, conhecido como “Genival Cigano”, Jose Ribamar da Silva, Luiz Gonzaga dos Santos, Luzivete da Costa Brandão, vulgo “Ivete”, Margelio Alves da Silva, vulgo “Margelio Cigano”, Mirian Ribeiro do Nascimento, vulgo “Preta”, Murilo Cordeiro da Silva, vulgo “Paslandim”, Raimundo Crisóstomo de Brito, Roberto da Silva, vulgo “Roberto Cigano”, Rose Mary do Nascimento Santos, vulgo “Rose”, Vinilson de Alencar, vulgo “Venâncio” ou “Fumão”, Wermerson Alves de Souza, vulgo “Uemerson Cigano”.

Todos foram denunciados por estelionato majorado e formação de quadrilha, crimes tipificados nos artigos 171, §3º, e art. 288, ambos do Código Penal, além de falsidade ideológica, previsto no art. 299 do Código Penal, mas este último somente em relação ao acusado Raimundo Crisóstomo de Brito.

A decisão da juíza Vládia Maria de Pontes Amorim, da 3ª Vara Federal da Seção Judiciária do Piauí, é de 21 de junho de 2018.

*Com informações GP1

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