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Voluntários iniciam obra do quarto de jovem que ficou em coma após cesárea no Piauí

Solidariedade. É assim que se denomina a atitude de um grupo de pessoas que doaram materiais de construção e a mão de obra para que seja construído um quarto adaptado para receber a adolescente Karem Rafaela, 17 anos, que ficou em coma irreversível após um parto cesárea.

Sem dinheiro, a família ainda luta para montar uma mini Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em casa e continuar com o tratamento da jovem. Mesmo ainda sem ter conseguido os equipamentos, as doações que chegaram confortam os familiares e deixam a esperança de que a volta da adolescente para sua família está mais próxima.

Materiais de construção form doados (Foto: Ellyo Teixeira/G1)
Materiais de construção foram doados (Foto: Ellyo Teixeira/G1)
Karem Rafaela encontra-se em estado vegetativo em hospital de Teresina (Foto: João Cunha/G1)
Karem Rafaela encontra-se em estado vegetativo em hospital de Teresina (Foto: João Cunha/G1)

“Só temos a agradecer pelas doações que têm chegado e isso só nos faz imaginar que ainda existem pessoas do bem. Ganhamos os materiais de construção e mão de obra, com dois pedreiros e dois ajudantes. Esperamos fazer tudo rapidamente e da melhor forma possível para que possamos dar a estrutura necessária para a chegada da Karem”, disse a tia Francisca Maria da Silva.

Segundo a família, Karem Rafaela ficou em coma irreversível depois de ser submetida a uma cesariana em uma maternidade pública de Teresina. Os familiares pedem indenização pelos danos causados à jovem. O caso também está sendo investigado pela Polícia Civil e Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI).

De acordo com os familiares, Karem deu entrada no Hospital do Buenos Aires, Zona Norte da capital, no dia 9 de setembro do ano passado quando começou a sentir dores e a previsão inicial do médico, que fez o pré-natal, era de que o parto fosse normal. No entanto, após dois dias internada, a jovem, que na época tinha 16 anos, não apresentou dilatação e a equipe médica decidiu por realizar uma cesárea. O bebê, do sexo masculino, nasceu bem e atualmente está com quatro meses.

Sem condições, a família tem encontrado dificuldades para receber a jovem que já está de alta médica, mas pelo fato de não ter um lugar adaptado, Karem inda não pôde ir pra casa. “Ela não veio porque aqui não é adaptado. Graças a Deus e a boa ação do povo, a gente está garantindo o quarto, mas faltam os equipamentos para continuarmos com o tratamento dela. Já acionamos o poder público, a prefeitura, porém até o momento não se manifestaram”, afirmou.

Para conseguir dinheiro para ajudar no tratamento da jovem, além das doações, a familiares e amigos estão realizando uma feijoada no dia 4 de fevereiro no espaço de shows Subindo ao Céu. “Com a venda de camisetas e da entrada irá nos ajudar a custear o tratamento e comprar algumas coisas para o bebê, atualmente saudável e com quatro meses de vida”, disse.

Inicia obra para o quarto de Karem Rafela (Foto: Ellyo Teixeira/G1)
Inicia obra para o quarto de Karem Rafela (Foto: Ellyo Teixeira/G1)

Fundação Municipal de Saúde
Em nota, a Fundação Municipal de Saúde (FMS) disse que segundo a diretoria do Hospital Buenos Aires, a paciente Karem Rafaela deu entrada no hospital para tratamento de uma infecção preexistente. No terceiro dia de internação, ela entrou em trabalho de parto que evoluiu para a indicação de cesariana.

“O procedimento foi feito normalmente com a paciente encaminhada para a enfermaria e depois transferida com consciência para a maternidade Evangelina Rosa, referência para gravidez de risco em Teresina”, diz trecho da nota. A  FMS disse que o caso está sendo investigado para detectar as causas da complicação.

O G1 procurou a direção da Evangelina Rosa que informou ter aberto sindicância sobre o caso. Segundo a maternidade, a comissão de ética médica está concluindo relatório para ser entregue aos órgãos jurídicos que solicitaram.

CRM, polícia e Justiça acionados
Cintia Andrade, advogada da família afirmou que o caso da jovem está sendo tratado em três vias. O Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI) foi acionado para apurar administrativamente o que de fato aconteceu desde a entrada de Karen no Hospital do Buenos Aires até sua chegada ao coma. Ao mesmo tempo, a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) já começou a investigar o ocorrido, ouvindo testemunhas, processo que deve culminar com a abertura de um inquérito policial.

G1/Piauí

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